Estudantes e educadores de MG participam de oficinas de ambiências criativas coordenadas pelo CENPEC

Objetivo principal é promover a discussão de assuntos de interesse dos jovens para tornar a escola um ambiente mais atrativo

COM INFORMAÇÕES DA SEE-MG

Alunos do Ensino Médio e professores de 24 escolas estaduais de Belo Horizonte (MG) e região metropolitana participaram, nestas quarta e quinta-feira (16 e 17/05), da dinâmica de apresentação do método Ambiências Criativas, para ser aplicado no Ensino Médio Integral e Integrado. A iniciativa foi elaborada pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, em parceria com o CENPEC.

A metodologia, desenvolvida pelo Núcleo de Juventude do CENPEC, sugere que alunos e professores se envolvam em temáticas específicas para discussões em grupo sobre assuntos que são do interesse dos estudantes e que, a partir da percepção dos educadores, podem passar a integrar o currículo da escola, tanto para a parte flexível quanto para os componentes curriculares da base comum.

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Lilian Kelian, técnica do Núcleo de Juventude do CENPEC que conduziu as oficinas explica que, na prática, a metodologia é muito simples. “Basicamente consiste em reuniões realizadas na escola com um grupo de alunos, que pode ser reduzido ou até uma ou duas turmas inteiras, com o objetivo de provocar estes jovens com questões sobre o mundo, tecnologia, convivência humana, meio ambiente e relações amorosas, por exemplo. A partir destas provocações, vão nascer temas de interesse, problemas que os estudantes têm vontade de investigar. Depois disso, os professores vão sistematizar o que é produzido nessa reunião e começar a trabalhar de forma mais direcionada a esses assuntos, tanto nas atividades da parte flexível, quanto da base comum”, explicou Lilian.

Ainda segundo a técnica do CENPEC, a intenção final é “fazer com que o currículo abra espaço para os interesses dos estudantes, para as questões dos territórios onde eles estão inseridos, tudo para que a escola tenha mais significado e seja mais interessante para estes jovens, sem que ela deixe de ser um espaço de construção do conhecimento”, como definiu Lilian.

De acordo com a analista educacional da SEE, Liliana Silveira, além de nortear o currículo, as discussões devem servir, também, para os professores pensarem em uma possível integração entre as disciplinas. “A intenção é dar voz aos estudantes e incluir na rotina de estudos assuntos e temas que eles gostam de discutir, que agregam, que promovem reflexão. Já o papel dos professores é observar a discussão e verificar com o que aquela temática dialoga dentro do plano de estudo e onde ele enxerga o componente curricular dele. Organizamos estas oficinas para ter uma ideia de como alunos e professores reagem a essa proposta, e estamos otimistas com o retorno que tivemos”, disse a analista.

Os encontros em Belo Horizonte duraram dois dias e cada escola levou dois alunos, um professor e um coordenador do Ensino Médio Integral e Integrado. De acordo com Liliana, os professores e coordenadores participantes serão os mediadores em cada escola, e terão a responsabilidade de conduzir o processo de apresentação e prática da metodologia. “Eles vão repassar para outros educadores e também para os estudantes, para que todo mundo pratique a metodologia”, disse Liliana Silveira analista educacional da Secretaria Estadual de Educação.

Estudantes

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Para a estudante Débora Murta, aluna do 1º ano do Ensino Médio Integral e Integrado do Colégio Estadual Central, a metodologia Ambiências Criativas está aprovada. “Acho interessante porque é como se fosse a abertura de uma porta para nós, alunos, podermos debater assuntos que são interessantes para nossa idade, nossa fase de vida. Além disso, há uma aproximação dos estudantes com os professores, mas não dentro daquela hierarquia de que professor manda e aluno obedece, e, sim, de igual para igual, dentro de uma discussão saudável e produtiva. E, no final, ter esses assuntos como objeto de estudo dentro até das disciplinas tradicionais é um ganho muito grande, porque certamente estudar vai ficar mais interessante”, disse a jovem.

O professor de Pesquisa e Intervenção e coordenador do Ensino Médio Integral e Integrado do Colégio Estadual Central, Reinaldo França, acredita que, com o novo método, será mais fácil conseguir prender a atenção dos seus alunos durante as aulas. “Antes, ficar cinco horários em uma escola ensinando conteúdos da forma tradicional já era difícil. Agora, com nove horários, um dos maiores desafios para o professor é conseguir a participação dos estudantes. Por isso, escutá-los em um debate como esse é muito importante, ainda mais com a possibilidade de levar os frutos dessa discussão para dentro de sala de aula, em forma de conteúdo das disciplinas e atividades”, disse o professor.

A realização das oficinas fazem parte de assessoria técnica do CENPEC à Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais na implementação de um novo currículo para o Ensino Médio Integral e Integrado no estado. Após a análise da participação das 12 escolas, a metodologia será implantada gradativamente nas demais escolas estaduais de Minas Gerais que oferecem a modalidade.

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